Má alimentação: pressa e falta de planejamento

Michelle Morton tenta comprar apenas alimentos saudáveis ​​no supermercado para seus filhos de 15, 11 e 7 anos de idade. Mas, segundo ela, isso é um desafio, especialmente para o período da manhã, quando tem de se certificar que nenhum deles perca o horário enquanto ainda tenta fazê-los comer mingau de aveia.

“É a hora do dia que temos menos tempo, então eu acabo cedendo, tipo ‘ok, tivemos que comer sucrilhos hoje senão nos atrasaríamos’”, conta Morton. “Isso tem sido o mais difícil para mim”.

A luta matinal e diária não é exclusividade de Michelle Morton e suas crianças. Especialistas da área de saúde há tempos alertam para a negligência quanto à alimentação infantil. Hoje, 17% de todas as crianças e adolescentes nos Estados Unidos são obesos, o triplo da taxa de uma geração atrás. A taxa no Brasil é um pouco menor: 10%.

A dieta típica estadunidense também não colabora. Um estudo publicado em 2000 na Revista Americana de Nutrição Clínica descobriu que 27% de sua energia diária total de um cidadão médio dos Estados Unidos vem de “porcarias”, como sorvete, fast food e comida congelada.

E a maioria das pessoas nem percebe o estado crítico no qual os hábitos alimentares do país chegaram: 90% dos estadunidenses alegam seguir uma dieta saudável, de acordo com uma recente pesquisa, embora o peso e o estado geral de saúde da população sugira que esse não é o caso.

“Muitas pessoas pensam que o que elas comem é saudável: refeições prontas congeladas, sorvete sem gordura, salgadinhos com apenas 100 calorias… Ou eles afirmam que nunca comem fast food. Só que isso não significa que todos os outros alimentos que eles comem são saudáveis​​”, explica Molly Kimball, nutricionista registrado no Centro de Bem Estar Elmwood Ochsner, em Nova Orleans, EUA.

E isso tem consequências pesadas: a obesidade deixa as crianças em maior risco de uma série de problemas de saúde, incluindo diabetes, doenças cardíacas e até câncer. Hoje, cerca de 151 mil crianças menores de 20 anos já têm diabetes tipo 1 ou 2 nos Estados Unidos. E nas últimas duas décadas, o diabetes tipo 2 – anteriormente conhecido como diabetes de adulto – tem sido relatado em crianças e adolescentes com frequência crescente.

Além da pressa, outro componente determinante para a má alimentação das crianças, segundo Eileen Kennedy, psicóloga pediátrica em Cleveland, Ohio, é a falta de planeamento da refeição. “Nós temos uma ampla disponibilidade de opções de fast-food e há sempre uma lanchonete aberta próximo às famílias”, conta.

Ela também comenta sobre a falta generalizada de importância dada ao planejamento das refeições na cultura americana. “É comum aquela situação em que o relógio bate seis horas, as crianças começam a perguntar o que vai ter para comer naquela noite e os pais não têm a menor ideia”, cita.

A solução, nesse caso, é visitar o restaurante de fast-food ali na esquina que, de tão fácil e simples, acaba virando uma rotina. “As pessoas vão optar pelo mais conveniente até que se tome uma decisão ativa e se faça um bom planejamento sobre os alimentos que dali para frente estarão presentes no jantar”, diz.

Em vez disso, Kennedy aconselha as famílias a planejarem suas refeições no início da semana para que possam cozinhar e comer juntos – refeições saudáveis – sempre que possível.

Post por Bruno Calzavara via Hypescience
Fonte: LiveScience
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