[cultura.pop] Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Ao fim de Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) a grande dúvida era como superar aquilo? Além de muita ação e uma trama impecável, o segundo filme dirigido por Christopher Nolan dentro do universo do Homem-Morcego tinha ainda a melhor interpretação já feita para o Coringa (Heath Ledger), capaz de colocá-lo no olimpo dos vilões, ao lado de Darth Vader e Hannibal Lecter. A saída criada por Chris, seu irmão Jonathan Nolan e o co-roteirista David Goyer foi trazer para as telas o personagem responsável por quebrar o herói nas histórias em quadrinhos, Bane (Tom Hardy).

Pessoalmente nunca fui fã do vilão, criado pela oportunidade mercadológica de desbancar um de seus maiores ícones e assim vender mais gibis – saída que já havia sido utilizada pela mesma DC Comics com Doomsday, inventado meses antes para matar o Superman. Piorou a minha relação com ele quando Joel Schumacher o colocou em Batman & Robin (1997), em uma versão inflável, descerebrada e totalmente descartável (que ainda atormenta meus piores pesadelos). Mas, como dizem os fãs, “In Nolan We Trust” (no Nolan, nós confiamos). Já na primeira cena do filme vemos um sujeito enorme e frio, que tem todos os movimentos calculados como um bom enxadrista e impõe nos seus oponentes o mesmo medo que o Batman conseguiu espalhar pelo submundo de Gotham City.

Seus motivos vão ficar mais claros com o desenrolar da trama, que apresenta ainda três novos personagens: o policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt), a magnata filantropa Miranda Tate (Marion Cotillard) e a gatuna Selina Kyle (Anne Hathaway). Sexy, ágil e dissimulada como a ladra de joias, Anne Hathaway se mostra capaz de fazer muito marmanjo esquecer a lambida que Michelle Pfeiffer deu em Michael Keaton no segundo batfilme dirigido por Tim Burton. Já Gordon-Levitt engrossa a voz, ganha peso e cara de homem, e comprova a posição alcançada em A Origem, como potencial astro de filmes de ação – com a vantagem de ainda saber atuar. Quem sai no prejuízo é Cotillard, que surge como o ponto fraco do elenco, com atuação muito aquém de sua já reconhecida e premiada capacidade.

Outra novidade, desta vez entre os veículos, é a aparição do Morcego, uma espécie de Tumbler voador. Sua agilidade no ar é comparável com a capacidade de luta do Batman e o poder de seus motores é ensurdecedor. Apesar de preferir usar efeitos práticos, Nolan prova nestas cenas que domina também a computação gráfica, com uma perseguição aérea entre os prédios de Gotham City digna de qualquer filme de super-herói voador. E o efeito IMAX – a imersão na gigantesca tela, com sequências filmadas em película 70mm – faz o resto. Se em Batman – O Cavaleiro das Trevas as seis sequências (28 minutos) IMAX se destacavam quando entravam em ação, neste novo filme, com quase metade de seus 164 minutos de duração no formato, as transições ficam menos visíveis e, consequentemente, temos um motivo de dispersão a menos com que nos preocupar.

Quem também tem pouco com o que se preocupar durante todo o arco inicial é o Comissário Gordon (Gary Oldman). Depois da morte de Harvey Dent – no desfecho de O Cavaleiro das Trevas – Gotham vive dias de paz, mas sua consciência o perturba. O Batman assumiu a morte do ex-promotor e virou alvo da polícia local e Gordon tratou de esconder o fato de que Dent havia se transformado no Duas-Caras, mantendo assim sua figura imaculada. A maior consequência disso é uma lei que praticamente zerou a criminalidade no local e levou o Batman à reclusão.

Cabe então a Bane trazer novamente o caos à cidade.

A trama toda se desenvolve de forma linear e é detalhadamente explicada, com direito a vilão fazendo pausa antes de seu ato final para contar ao herói os motivos que o levaram até aquele ponto – algo digno da série dos anos 60 estrelada por Adam West Burt Ward, acredite! E entenda isso como uma homenagem, assim como a citação de outros personagens conhecidos dos leitores dos quadrinhos do herói mascarado. É a desforra dos Nolan contra os que sempre diziam que sua Gotham era muito distante da vista nas páginas mensais das revistas.

Mais do que um filme

Encarar Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge(The Dark Knight Rises) apenas como mais um filme, tirando-o do contexto da trilogia seria um desserviço à história do cinema. Se ele é melhor ou pior do que Batman Begins ou Batman – O Cavaleiro das Trevas, pouco importa agora e cada um vai julgar à sua maneira. O que precisa ser notado e elogiado de forma incessante é a forma como ele encerra magistralmente a série, fazendo referências a falas e pensamentos que foram proferidos há 7 anos, na estreia do primeiro longa.

Se não fosse também a trilha incessante de Hans Zimmer, principalmente no segundo e terceiro filmes, não seria tão impactante o silêncio que norteia a sinfonia de socos e chutes esmagando carne e ossos, na luta mais tensa (e intensa) de toda a trilogia, quando o Batman acha alguém à sua altura técnica e a cabeça no lugar, cenário perfeito para enfrentá-lo e, quem sabe, derrotá-lo. E se isso acontecer, tudo bem, porque como dizia e repetia Alfred (Michael Caine) desde que Bruce Wayne ainda tinha seus pais, é preciso cair para aprender a se levantar.

Ver Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge vai trazer aos rostos dos fãs mais sorrisos do que o gás do Coringa, mas assistir à trilogia completa vai além. É um combustível que vai manter o batsinal funcionando por muito tempo, quer aconteça ou não o futuro que Nolan deixou escrito nos últimos minutos de sua batsérie.

P.S. Esta crítica está livre de spoilers. Se você quiser saber mais sobre a trama e as surpresas do filme, veja o vídeo abaixo, em que nós contamos TUDO o que acontece no filme.

Post por Omelete

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3 comentários sobre “[cultura.pop] Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

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