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Parece que ninguém mais duvida dos benefícios da proteína do soro do leite (whey protein) para a saúde. É bom deixar claro que toda a polêmica recente envolvendo esse tipo de suplemento não está na qualidade da proteína, mas na adulteração de produtos que contêm porções menores de whey do que as descritas na embalagem. Outro engano é pensar no whey protein como um “suplemento de academia”. O objetivo de qualquer suplementação é complementar os nutrientes que nem sempre conseguimos absorver só com a comida, e o whey pode ser um aliado na alimentação de qualquer pessoa, inclusive, de crianças e idosos. Isso é o que dizemos hoje, mas nem sempre foi assim.
Eu me lembro da primeira vez que vi um pote de whey protein, quase 20 anos atrás, em uma farmácia. Na época, o produto era uma inovação para o ganho de massa muscular e não era difícil encontrar uma pessoa que o confundia com anabolizante. Pouco tempo depois, o whey foi para o banco dos réus acusado de provocar uma série de doenças no fígado, no pâncreas, nos rins, problemas neurológicos e até no desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
“Manda a perfeita razão que evitemos os extremos, e que sejamos sensatos e sóbrios” *
Beber álcool em excesso faz mal, mas o consumo eventual de uma taça de vinho tinto seco pode trazer benefícios à saúde; exagerar na intensidade do exercício causa sérias lesões, porém, bem orientada, a atividade física só faz bem ao organismo; comer muito chocolate engorda e pode contribuir para o desenvolvimento de diabetes, mas o chocolate amargo, se consumido com moderação, ajuda até melhorar os níveis de colesterol!  O principal problema é que a grande maioria das pessoas toma suplementos por conta própria, seguindo a indicação de amigos, do instrutor da academia ou do pseudo
nutricionista que se formou no Google. Negligenciar a orientação de um profissional, por preconceito ou autodidatismo, é o que realmente faz mal à saúde.
Mas vamos deixar essa discussão para outra oportunidade. O fato é que a proteína do soro do leite pode ajudar a prevenir e tratar doenças, facilitar a ingestão proteica em pessoas com falta de apetite, equilibrar a ingestão de nutrientes em dietas com restrição calórica ou a má alimentação decorrente da correria do dia a dia ou de maus hábitos. A partir dos 70 anos, homens e mulheres perdem de 20% a 40% da força muscular. Aproximadamente 30% das pessoas nessa fase da vida apresentam sarcopenia. Graças à sua fácil e rápida digestão, o suplemento de whey protein pode ajudar no tratamento e prevenção da perda muscular, PORÉM, é necessário que o idoso passe por uma orientação nutricional antes de começar essa suplementação. A dose varia de pessoa para pessoa e depende de uma série de fatores.
As proteínas contidas no leite foram naturalmente programadas para o crescimento dos mamíferos na fase inicial da vida, por isso, uma de suas principais funções é promover as reações bioquímicas envolvidas no crescimento, como a síntese de proteínas do corpo. A whey protein é extraída do soro do leite, que é resultante do processo de fabricação do queijo. Possui alto valor nutricional, seja pelos seus aminoácidos essenciais de cadeia ramificada (BCAAs) ou pelos peptídeos bioativos do soro. Possui uma rápida absorção e alto valor biológico, o que chama a atenção dos praticantes de atividade física. Também oferece grandes benefícios no processo de recuperação muscular e no sistema imunológico, principalmente para os atletas.
O whey concentrado apresenta de 30 a 90% de proteínas, sendo o restante composto por gordura, carboidrato e lactose. Já o isolado possui mais de 90% de proteínas, menos carboidratos, pouca gordura e menos de 1% de lactose. A diferença entre esses dois tipos de whey protein está no teor proteico, já que o tempo de absorção entre eles não muda, iniciando entre 20 e 30 minutos. Já o whey protein hidrolisado é aquele que passa por um processo em que as moléculas de proteína do soro do leite são quebradas em partículas menores na presença de água. Assim, a digestão e absorção se tornam ainda mais rápidas. O whey na forma hidrolisada pode ser uma boa alternativa para quem tem intolerância a lactose e alergia as proteínas de origem animal. Pelo menos duas novas propriedades do whey protein hidrolisado estão sendo investigadas por pesquisadores: a proteção celular, quando o organismo é submetido ao estresse, e a melhora do estado hiperglicêmico em animais cujo nível de açúcar no sangue está acima do recomendado. A partir do avanço das pesquisas em seres humanos, o whey protein poderá em pouco tempo ser comprovadamente eficaz no tratamento e prevenção da diabetes.
Outra questão importante é a qualidade e o grau de confiabilidade do whey protein. Alguns produtos podem ter menos proteína do que o indicado no rótulo; podem ser feitos com proteínas mais baratas ou com uma grande quantidade de carboidrato. A melhor forma de saber se o whey é de qualidade é ver a quantidade de proteína por dose. Normalmente, uma dose tem cerca de 30g. Um bom whey deve ter mais de 20g de proteína por dose, ou seja, pelo menos 70% do produto devem ser de proteína de soro de leite, não albumina ou proteína de soja. Também é importante observar o perfil de aminoácidos e a quantidade de BCAAs. Um bom whey deve trazer pelo menos 4-5g de BCAA por dose.  A confiabilidade dos produtos para o consumidor depende muito da credibilidade da marca e do rigor na fiscalização.
O whey protein é muito popular nas salas de musculação, mas pode ser usado por pessoas que praticam qualquer modalidade esportiva com alto desgaste físico. Para quem toma whey esperando um crescimento dos músculos, é importante esclarecer que o suplemento auxilia na obtenção de uma ingestão adequada de proteínas. Para que ocorra a hipertrofia é fundamental o estímulo (treino correto) e que todas as refeições do seu dia estejam adequadas. De nada adianta ingerir whey hidrolisado após o treino e ignorar duas ou três refeições diárias. Sempre recomendo para que primeiro se adeque todas as 5 – 6 refeições diárias com carboidratos, proteínas, lipídeos, vitaminas e minerais de qualidade, sem se esquecer de um ótimo aporte hídrico. Feito isso, é hora de pensar na suplementação, no momento do treino. Dependendo da intensidade do treinamento de musculação é interessante o uso da whey protein (normalmente acompanhando com carboidratos, waxy maize, maltodextrina ou dextrose, salvo em situações muito pontuais) tanto antes quanto após o treino. Quando o treinamento é intenso, pode-se ainda incluir outros suplementos como BCAA, glutamina e creatina. Lembrando que BCAA e glutamina já compõem o whey protein, portanto, seu acréscimo só é justificado para quem realmente tem um treino de alta intensidade. Usar uma suplementação de alto nível para acompanhar um treinamento iniciante ou tomar um monte de suplementos por achar que treina pesado, é jogar dinheiro fora.
Resumindo, para usufruir dos benefícios do whey ou de qualquer outro suplemento é indispensável procurar um nutricionista. Com tanta gente falando sobre dietas e suplementos, os conceitos se perdem e muitas vezes a informação é transmitida ou entendida de maneira errada. Assim como não existe uma dieta adequada para todo mundo, também não existem suplementos que façam bem pra todos. Antes de qualquer mudança na alimentação, consulte um nutricionista.
Rodapé – Jean Baptiste Poquelin (Molière), escritor, ator e dramaturgo francês do século XVII.
Post via Rodolfo Peres. Todos os direitos reservados ao autor, post meramente promocional e informativo.
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